3/10/2018

Estudo sobre a incidência e mortalidade da doença mostra crescimento de casos. No Brasil espera-se um aumento de até 79% dos casos até 2040

 

O câncer já é primeira causa de morte em muitos países desenvolvidos e sua incidência só cresce pelo mundo. Orelatório GLOBOCAN 2018 da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), publicado no Cancer Journal for Clinicians, estima que em 2018 ocorram 18 milhões de novos casos da doença e 9,6 milhões de mortes em sua decorrência.

O estudo traz estimativas sobre a incidência e a mortalidade de 36 tipos de câncer em 185 países. Segundo o estudo, um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres vão ter câncer durante a vida e um em cada oito homens e uma em cada 11 mulheres vão morrer da doença.

O aumento do número de casos de câncer se deve a múltiplos fatores, entre eles o crescimento e o envelhecimento da população e o aumento de certas causas de câncer ligadas ao desenvolvimento econômico. Em economias em crescimento, os pesquisadores observam uma mudança no padrão de incidência de cânceres, com redução do número de casos de tumores relacionados à infecções e condições de pobreza e aumento do caso de tumores mais ligados à vida urbana, mais típicos de países desenvolvidos.

Por outro lado, o número de pessoas que estarão vivas dentro do período de 5 anos após o diagnóstico do câncer é estimado em 43,8 milhões. Há cinco anos, quando a última edição do estudo foi publicada, eram 32 milhões de pessoas nessa situação.

O estudo mostra ainda uma queda geral na incidência do câncer de pulmão, a neoplasia que mais mata no mundo, especialmente nos EUA e Europa, e no câncer de colo de útero. No entanto, o número absoluto de casos de câncer está em ascensão e o de pulmão permanece entre os três cânceres que mais matam, junto com câncer de mama feminino e colorretal.

Juntos, esses três tipos de são responsáveis por um terço da incidência e mortalidade pelo mundo. O de pulmão e de mama lideram em termos de novos casos, com cerca de 2 milhões de diagnósticos estimados para este ano e 11,6% do total de incidência de câncer.

O colorretal ( 1,8 milhões de casos e 10% do total) é o terceiro mais comum, seguido de próstata  (1,3 milhões de casos, 7%) e de estômago em quinto (1 milhão, 5%).

Existe também diferença na concentração dos casos pelo globo. Estima-se que mais das metades das mortes por câncer em 2018 ocorram na Ásia, que tem quase 60% da população mundial.

Cenário brasileiro

De acordo com o levantamento, o Brasil somará em 559 mil novos casos de câncer, com 243 mil mortes, em 2018. Até 2040 é esperado ainda um aumento de 78,5% dos casos, um dos maiores entre as principais economias mundiais. O Brasil, junto com outros países como Rússia, China e Países Bálticos, está entre os poucos que assistiram a um amento geral de casos e mortalidade de câncer na última década.

Hoje o câncer de mama é o mais frequente no país, com 85,6 mil casos, 15,3% do total. Em segundo lugar vem o de próstata, com 84,9 mil. Apesar de ser um câncer de fácil controle se identificado precocemente, o de próstata é um dos que mais mata no Brasil. A situação vai na contramão dos países desenvolvidos, onde a incidência e a mortalidade dessa neoplasia caíram significativamente, influenciadas pelo diagnóstico precoce por teste de PSA.

Segundo o estudo, a comercialização dos testes de PSA a partir dos anos 1980 levaram a um aumento de detecção precoce, que levou a um aumento no número de casos detectados, mas também a uma queda na mortalidade, o que levou a países como os EUA mais recentemente recomendarem contra o uso de rotina do PSA como rastreio. O Brasil, bem como o Reino Unido, Japão, Costa Rica e Tailândia, adotaram o uso do PSA mais recentemente e ainda assistem a um aumento dos casos e da mortalidade.

*Texto publicado originalmente em: http://revistaonco.com.br/cancer-avanca-como-causa-de-morte-pelo-mundo/